Tribuna | 21 de outubro de 2015 | Foto: Brunno Covello/SMCS

A senhorinha falava sem nenhum pudor. Conversava em voz alta com a passageira ao lado e o que chamou minha atenção foi a frase: “Ela vai quebrar a cara!!” “Ela” era a filha da senhora:

“A guria chega 5h da tarde pedindo almoço. Por que não liga antes pra avisar, pra gente se programar. E ainda exige… Mas um dia ela vai dar com a porta na cara. Avisei pra ela ‘você vai quebrar a cara, guria’. Se ela avisa dá pra fazer algum bolinho, alguma coisinha. Mas não, ela chega e nem pergunta se a gente pode fazer, já vai pedindo.

Mas pro neto eu não ligo de fazer nada. Ele gosta de bolo de chocolate e se deixar come o bolo todo. Quando ele fala daquele jeitinho ‘vóóóóó’, eu já sei que ele quer bolo. E lá ‘vai eu’ fazer.”

Quando o sogro também é folgado

A guria reclamava pro colega de trabalho que o sogro era um folgado porque pegava o carro – que é dela (isso ela fez questão de deixar bem claro) – emprestadoe não devolvia nunca. Eis o raciocínio da moça sobre emprestar ou não o carro pro sogro:

“Ele tinha um carro filezinho aí pegou uma belina podre que não fuciona mais. Agora aparece em casa pra pegar o carro, diz que devolve no outro dia e não aparece. Mandei meu marido ir lá, porque se eu for já viu né. O meu marido falou com ele, disse “pai, você sabe que a Fulana não gosta”, mas na outra semana a mesma coisa.

Mas pro meu irmão eu não ligo de emprestar. É diferente. Eu precisei dele e ele me ajudou. Agora eu vou ficar emprestando minhas coisas pra uma pessoa quem nunca precisei, que nunca me ajudou e agora vem se folgar?”

Se entendi bem, ela só ajuda quem já a ajudou. Se ela não precisou de você, “sogro”, esqueça!

Leitura de busão (bem paranaense, por sinal): O Fandango que Acompanha o Barreado. Autora: Marly Garcia Correia (Antropologia).