D. Pedro II visitou três municípios do litoral, mas pouco resta de sua passagem

Gazeta do Povo | 28 de outubro de 2011 | Foto: Antonio More/Gazeta do Povo

No dia 18 de maio de 1880, desembarcava em Paranaguá uma das comitivas mais importantes que a cidade recebeu. Nela estava o imperador Dom Pedro II que, junto com a sua família, percorreu as terras paranaenses. Além de conhecer a província mais nova do império, desmembrada de São Paulo em 1853, a visita também serviu para que o monarca visse de perto o desenvolvimento do território que ele emancipou.

“O imperador sempre teve muito interesse pela província. Sua vinda ao Paraná tinha dois motivos principais: vistoriar as unidades militares do Sul do país depois da Guerra do Paraguai, encerrada anos antes, e visitar as colônias de imigrantes, que trouxeram as culturas típicas europeias, como a batata e o arroz”, explica o associado do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, Venceslau Muniz Filho. Além do local de embarque e desembarque da comitiva, o litoral também fez parte do roteiro de Dom Pedro no estado. Ao todo, ele permaneceu na região durante seis dias entre Morretes, Antonina e Paranaguá, de onde seguiu viagem no dia 5 de junho. A rota imperial também contemplou Curitiba, Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa, Castro e Lapa.

Na programação, inúmeras visitas a escolas, hospitais e repartições públicas, em que o imperador conferia a situação dos estabelecimentos. Suas impressões ficaram registradas em um diário, que foi publicado em forma de livro. “As casas das escolas que vi não são tão más. Das três professoras, só regia uma substituta. Os alunos que interroguei, por serem os melhores dos presentes, responderam muito bem”, descreveu uma de suas atividades em Paranaguá, no dia seguinte à sua chegada. Outro importante compromisso foi a visita às obras da estrada de ferro que liga a cidade portuária à Curitiba.

Lembranças

A passagem do imperador mobilizou todos os moradores das cidades onde ele esteve. As ruas foram enfeitadas e inúmeras festas aconteceram para comemorar a presença do monarca. “Das janelas e sacadas (…) pendiam lindas colchas e finos tapetes, dando uma aparência vistosa para a cidade. As ‘luminárias’ também faziam parte desse costume. Eram lanternas e lamparinas coloridas penduradas nas fachadas das residências”, conta o historiador Manoel Viana, em seu livro História de um Príncipe.

Momentos como este, no entanto, estão presentes apenas nas publicações que relatam a visita, atualmente pouco lembrada no litoral paranaense. Os prédios onde Dom Pedro II esteve, potenciais pontos turísticos da região, encontram-se agora em más condições e não registram este importante episódio da história do estado.

Apenas a atual sede da prefeitura municipal de Antonina informa que o local abrigou a comitiva. A situação é diferente da encontrada no palacete de Visconde de Nacar (antiga sede da Câmara Municipal), onde o imperador ficou hospedado em Paranaguá. Além de não fazer nenhuma referência ao hóspede, o edifício está muito danificado. A Casa do Ipiranga, na Serra do Mar e em frente à estrada de ferro, também está abandonada e quase toda destruída. Já a casa que recebeu a comitiva em Morretes é particular, e não fica aberta para visitantes.

 

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