Após conquistar os paranaenses, prato típico do litoral busca reconhecimento nacional

Gazeta do Povo | 28 de outubro de 2011 | Foto: Antonio More/Gazeta do Povo

Ao lado do vatapá. Esta é a posição que o barreado pretende ocupar no reconhecimento nacional. O prato típico, que há tempos se tornou uma referência paranaense, busca fazer sucesso entre os sabores brasileiros.

A mobilização já começou. A edição de 2012 do Guia 4 Rodas, que seleciona os principais estabelecimentos de hotelaria e gastronomia entre os destinos turísticos de todo o país, escolheu um restaurante de Paranaguá como o melhor do Brasil em sua especialidade, relação na qual constam nomes de chefs renomados. A publicação recomenda que, quando passarem pelo litoral do Paraná, os turistas experimentem a receita que dá nome à Casa do Barreado.

Além do reconhecimento, a cozinheira regional Norma Santos Freitas, dona do restaurante, comemora a valorização da cultura local. “Estamos resgatando a nossa cultura, que acaba se perdendo”, afirma. Para seguir a tradição, Norma prepara a receita da mesma forma que era feita pelas famílias na década de 1950 – inclusive em sua casa, quando era criança.

O destaque na mesa do brasileiro almejado pelos moradores do litoral pretende, ainda, evitar que se repita uma situação constrangedora que aconteceu durante as comemorações pelos 500 anos do descobrimento do Brasil. Durante uma festa em Brasília, os presentes deixaram de apreciar as apresentações culturais logo após a performance baiana. O estado seguinte a se apresentar era o Paraná, com seu barreado e seu fandango. “Queremos colocar o barreado junto com os outros pratos do país e com o reconhecimento que merece. Este é o prato do nosso estado”, diz a cozinheira.

Da região
É impossível definir uma cidade que seja considerada a “mãe” do barreado. O prato surgiu há mais de 200 anos, quando os moradores de vários sítios do litoral se reuniam para dançar fandango, dança típica caiçara, e o barreado era o prato principal durante os três dias de festa, que hoje correspondem ao carnaval. No restante do ano, as refeições eram à base de peixe.

Os festejos aconteciam na região onde hoje se localizam os municípios de Antonina, Morretes e Paranaguá, sem uma demarcação exata de cada um deles. “Somos todos uma família só”, afirma Norma, referindo-se à proximidade histórica entre os três municípios. Ela ainda ressalta que a origem do prato não tem qualquer relação com a passagem dos tropeiros pelo estado. “Não existe nenhuma comprovação. Os relatos sobre tropeiros não dizem que eles levavam panelas de barros em suas viagens”, argumenta. O prato só começou a ser oferecido pelos restaurantes do litoral na década de 1970, sendo Morretes o primeiro a divulgar a receita.

Variações

A preparação especial do barreado – em panelas de barro e com cozimento demorado – impossibilita que o prato seja feito em casa. Porém, a combinação da carne utilizada na receita tradicional com outros sabores cria novas opções de pratos. Um deles é o Cozido à Brasileira. O prato típico nacional ganha o toque paranaense com a banana da terra e o pirão

Cozido à brasileira

Ingredientes

2,5 kg de acém cortado em cubos

2 cebolas picadasa3 tomates picados

3 dentes de alho

1 maço de cheiro-verde

½ kg de linguiça calabresa

½ kg de costelinha defumada

½ kg de abóbora

½ kg de batata doce

½ kg de aipim

5 bananas da terra

3 maços de couve

Meio repolho em folhas

1 chuchu

1 cenoura

Sal e pimenta a gosto

3 tabletes de caldo de carne

Farinha de mandioca

Óleo de milho e azeite

Modo de fazer

Tempere a carne com alho e sal. Depois de temperá-la, frite em uma panela já aquecida, até selar a carne. A sugestão de Norma é utilizar uma panela de ferro. Acrescente a cebola junto com o restante do alho e deixe dourar. Quando a carne e a cebola já estiverem douradas, adicione o tomate e refogue até que ele dissolva. Em seguida, misture a linguiça, a costelinha e acrescente o caldo de carne dissolvido em um litro e meio de água. Cozinhe até a carne ficar macia. Em outra panela, cozinhe os legumes: adicione o aipim, a batata doce, a cenoura, o chuchu, a abóbora e deixe cozinhar. Por último, o repolho, a couve e a banana da terra. Os legumes devem ser cortados em pedaços grandes. Para o pirão, misture o caldo dos legumes cozidos e o caldo da carne em uma panela em fogo médio. Adicione a farinha de mandioca aos poucos, sempre mexendo. O ponto ideal do pirão é quase cremoso, sem deixar a mistura endurecer muito.

Montagem do prato

Em uma travessa, coloque a carne, a costelinha e a linguiça. Acomode os legumes em pedaços e o pirão separadamente. Acompanha arroz branco e molho de pimenta. Rende oito porções.

 

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