Prefeitura de Paranaguá não tem previsão para execução das obras de recuperação na Ilha da Cotinga

Gazeta do Povo | 30 de setembro de 2011 | Foto: Antônio More / Gazeta do Povo

Com mais de 300 anos de história, a primeira igreja do Paraná está abandonada. A Igreja de Nossa Senhora das Mercês, localizada na Ilha da Cotinga, foi construída em 1677 pelos primeiros colonizadores europeus que chegaram ao estado. O edifício foi reconstruído em 1993, mas o que restou da combinação entre falta de manutenção e vandalismo, durante os últimos 18 anos, foram apenas ruínas.

As paredes da igreja estão de pé, mas seu interior está tomado pela vegetação. O caminho que leva às ruínas também está prejudicado. A trilha não é sinalizada e a escadaria, sem manutenção, é escorregadia e ruiu em alguns pontos.

A construção passou por sua última reforma em 2000, durante as comemorações pelos 500 anos do descobrimento do Brasil, quando ganhou placas comemorativas. Onze anos depois, visitantes se depararam com a igreja praticamente demolida. Mora­dores da ilha também estão descontentes com a degradação do local. “Moro na ilha desde 1983 e já vi a igreja ser reformada duas vezes, mas não adiantou”, conta o morador Noel Pedro de Bastos. De acordo com ele, a ação de vândalos, que aos poucos desmontaram a igreja, acelerou a degradação do local.

Restauração
Responsável pela manutenção da Ilha da Cotinga, a prefeitura de Paranaguá afirma que o local irá passar por uma revitalização. No entanto, o valor e a previsão para o início dos trabalhos ainda não foram definidos. O projeto prevê melhoria nas trilhas, na escadaria e na própria igreja, fazendo da ilha parte de um roteiro turístico pela cidade. De acordo com a Fundação Municipal de Turismo (Fumtur), o município deve investir em uma parceria público-privada, que ainda está em negociações.

Além de representar o resgate da memória paranaense, a revitalização da igreja fortalece mais um ponto turístico de Paranaguá. A iniciativa é esperada há anos pelos integrantes da Associação dos Barqueiros do Estado do Paraná (Barcopar), que reconhecem a importância do local. “Sabemos do potencial turístico da Ilha da Cotinga. Os turistas se interessam pela história, mas o problema é que as pessoas não reconhecem a riqueza que têm”, lamenta o diretor da associação, Edenil Fernandes de Paula. Por ano, cerca de 100 estrangeiros se dirigem para a Cotinga, sem contar os fiéis que pretendem fazer homenagens à santa, tornando o local um dos destinos mais procurado pelos turistas. O plano dos barqueiros é designar um morador local para se tornar o guia oficial da ilha, responsável por recepcionar os turistas e conduzir as visitas.

Ilha foi berço do estado
A Ilha da Cotinga foi o primeiro território paranaense habitado pelos colonizadores que chegaram na região por volta de 1550, em busca de ouro. Com medo dos índios que moravam em Paranaguá, eles decidiram permanecer na ilha, de onde só saíram cerca de 50 anos depois. Atualmente o lugar é habitado por índios e pescadores.

Na Cotinga, eles construíram a Igreja Nossa Senhora das Mercês, que foi demolida em 1699 para que fosse erguida no continente a Igreja de São Benedito, com materiais da primeira igreja em sua estrutura. A imagem também foi levada para o continente, pois só com a representação da santa em terra firme seria configurado o governo local. Em 1993, a igreja foi reconstruída na ilha, porém a imagem original da santa não existe mais.

 

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