Massa News | 2017 | Foto: Pixabay
As cooperativas paranaenses são as que mais empregam no Sul do país. É o que mostra o Panorama do Cooperativismo Brasileiro, divulgado pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).Em 2016, as 242 cooperativas paranaenses contrataram 93,7 mil trabalhadores, principalmente no ramo agropecuário, característica marcante na economia do estado. Além disso, o Paraná está na frente de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul no número de empregados em cooperativas desde 2001 – com exceção de 2003, quando o Rio Grande do Sul empregou 8% a mais.

Apesar de o cooperativismo ser destaque em empreendimentos do interior e ligados ao agronegócio, o superintendente do Sistema OCB, Renato Nobile, destaca também a atuação que vem se tornando marcante no meio urbano. “Dentro do cooperativismo, o ramo crédito, que são os serviços financeiros e que nasceu muito ligado ao ambiente agrícola, hoje traz uma aplicação muito forte no meio urbano”, comenta.

Equilíbrio
Entre os empresários de grandes centros urbanos que aderiram ao cooperativismo está o proprietário do grupo Boutique da Carne, Fábio José Noceti, que está no mercado de Curitiba desde 2008. Cooperado do Sicredi desde maio do ano passado, depois de desfazer uma sociedade, ele rapidamente percebeu em seu negócio as vantagens do cooperativismo.

“É uma diferença gritante. O tratamento com o cliente é diferente. O que o banco pega, ele não divide, o que a cooperativa pega, ela vai dividir com você”, comenta. Entre os fatores que mais chamaram sua atenção foram as taxas mais baixas e a relação com o banco. “Percebemos uma queda gritante no pagamento de juros, estamos nos equilibrando. Estou há 10 anos no comércio e pela primeira vez vou virar o ano com a cabeça fresca, sem dívida”, diz.

Antes de se tornar um cooperado, Noceti acreditava que a iniciativa era destinada apenas a indústrias e empreendimentos agrícolas. Ao receber a proposta de um gerente, ele aderiu ao cooperativismo com seu açougue, restaurante e estacionamento, que fazem parte do grupo. Atualmente, a empresa tem 37 funcionários, sendo que três foram contratados pelo grupo recentemente.

O que Noceti destaca como um dos diferenciais do cooperativismo, o presidente da SicredPar, Mandref Alfonso Dasenbrock, pontua como um ideal de relação do Sicredi com seus cooperados. “As pessoas buscam transparência. A confiança no seu gerente de negócio, especialmente a forma como o Sicredi mostra os números para o cooperado. As pessoas buscam a confiança na relação”, garante ele que representa a instituição financeira que tem mais de 3,6 milhões de associados em 21 estados brasileiros.

Cooperação, confiança e desenvolvimento
A geração de empregos não é o único benefício gerado pelo cooperativismo, especialmente nas sociedades em que as cooperativas estão inseridas. Este modelo de negócio é uma alternativa à relação com os bancos convencionais, independente do ramo de atividade da empresa e também para pessoas físicas, que podem aderir fazendo investimentos.

“O cooperativismo é um modelo de sociedade de pessoas com a finalidade de desenvolvimento econômico. É um modelo societário em que as pessoas com a finalidade comum de melhorar economicamente sua atividade e que traz o equilíbrio na dimensão social”, explica Nobile, do Sistema OCB. “Essa união das pessoas que faz todo o diferencial”.

Os envolvidos com o cooperativismo destacam ainda as relações de confiança e o fato de que o dinheiro fica nas comunidades onde estão as cooperativas, estimulando o desenvolvimento das sociedades. “Outra característica marcante da cooperativa é promoção do desenvolvimento local e regional”, comenta Nobile, que indica também as cooperativas de saúde e odontologia como mais um exemplo do impacto das cooperativas para a população e estão presentes em 85% dos municípios brasileiros e ampliam as oportunidades de atendimento.