Tribuna | 02 de março de 2013 | Foto: Gerson Klaina

Em cinco anos de trabalho já foram seis mil pregos, 60 mil marteladas, 50 quilos de tinta, 250 metros de tecido de vidro e R$ 30 mil para a produção do “Ecológico, o barco do Seu Jú”. A iniciativa não seria diferente de tantas outras construções de barcos que encontramos por aí se não fosse um detalhe em especial: o seu próprio montador.

Aos 79 anos de idade o aposentado Ronald Santos Canfield faz todo o trabalho sozinho e garante que nunca recebeu ajuda de nenhuma outra pessoa. “Ninguém bateu um prego”, diz. Foi desta forma que ele criou uma estrutura completa, com quatro camas mais um espaço para o marinheiro, banheiro, dispensa e espaço para pesca, uma de suas paixões. Até a instalação do motor, um MWM 60, que exigiu mais esforço, foi feita apenas pelo aposentado, que mostra desenvoltura ao movimentar a máquina.

A ideia surgiu enquanto ele observava um pé de jacarandá plantado em seu terreno em Matinhos e foi colocada em prática depois da mudança para Pontal do Sul. “Decidi fazer um barco com a madeira daquela árvore e comecei para não ficar ocioso. Aí mandei brasa”, lembra “Seu Jú”, como é conhecido na região e nunca trabalhou no ramo da navegação, apesar de afirmar ter mais ou menos 30 empregos diferentes, entre eles corretor de imóveis, administrador de empresa e dono de autoelétrica.

Apesar de pintada e com toda a estrutura encaminhada, a embarcação ainda não está pronta. Mesmo assim, Canfield já esquematizou todo um projeto para seu uso. Ele pretende aproveitar ao máximo a paisagem que tem em frente de casa e que o inspira, a Baía de Paranaguá. “Quero fazer passeios dentro da baía, por Antonina, Ilha das Peças, Superagui, Ilha do Mel até Cananeia, com café da manhã, almoço, lanche e janta. Ainda não sei quando o barco vai pra água, mas vai ser antes de eu morrer”, planeja, decidido.

Mais talentos
A construção do barco não é a única tarefa de Ronald, que também faz desenhos das paisagens do litoral e do sudoeste do Estado, onde nasceu. Outro hobby são as esculturas em raízes que junta do mar. Nas horas vagas, a diversão fica por conta dos bailes para a terceira idade. “Tem que aproveitar a vida!”, resume.

 

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