Das 20 áreas ambientais protegidas , 14 são abertas à visitação. Contato com a natureza estimula o cuidado de moradores e visitantes

Gazeta do Povo | 30 de setembro de 2011 | Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Localizado em meio à Mata Atlântica, o litoral paranaense ocupa um dos biomas com a maior diversidade do planeta. São 450.519 hectares que compreendem espécies animais e vegetais de florestas, restinga e mangues, de acordo com a edição 2010 do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A área atual é 34% menor do que foi registrado em 2008.

Por causa do patrimônio natural, a região tem a responsabilidade de conservar as áreas que são exploradas desde o período colonial. Uma das alternativas para preservar toda a fauna e a flora nativa são os parques, que se tornam também uma opção de passeio para os turistas. “A questão mais significativa dos parques na região é a proteção do bioma, que é extremamente importante e representativo”, avalia Ricardo Castelli Vieira, coordenador-geral do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ambiental do governo federal.

O litoral abriga mais de 20 áreas de conservação em todos os seus municípios, divididos em parques, reservas particulares do patrimônio natural (RPPN) e estações ecológicas, que estão sob responsabilidade dos governos municipal, estadual, federal ou são particulares. Destes, é possível conhecer 14 locais, que oferecem passeios ecológicos e atividades de ecoturismo, enquanto os demais são classificados como área de proteção integral, com um plano de manejo que não prevê visitação.

Caminhadas por trilhas, contato com manguezais, acampamento na Floresta Atlântica, escalada nos maiores picos do estado, passeios por rios e inúmeras outras atividades fazem parte dos roteiros dos parques. Essas opções são consideradas pelos profissionais da área como estratégicas para estimular o respeito ao meio ambiente. “Quando a pessoa vai até o local, sente o aroma, conhece a fauna e a flora ameaçada, ela se preocupa e toma mais cuidado. A experiência é insubstituível, traz percepções que o visitante não teria no ambiente urbano”, afirma a gerente de projetos ambientais da Fundação Grupo Boticário, Leide Takahashi. Ela conta que a escolha do local para criar a reserva da fundação priorizou, além da mata em sí, a possibilidade de visitação e pesquisas na área.

O turismólogo Marcus Vinícuis Concatto, consultor da Cooperativa de Ecoturismo de Base Comunitária da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba (Cooperguará), observa ainda que abrir os locais para os visitantes também estimula o morador das comunidades próximas a se envolver nos projetos. Muitos trabalham nas reservas da região onde a cooperativa atua e já agregaram a preservação em suas rotinas. “O guarda de um de nossos parques era caçador dos animais da floresta. Hoje ele é um dos que mais fala sobre a preservação da espécie”, conta.

 

Público e privado

Assim como acontece no poder público, a iniciativa de preservar uma área de mata nativa também ser colocada em prática em propriedades privadas, nas reservas particulares do patrimônio natural (RPPN).

O processo de criação das reservas é previsto em leis e orienta o manejo das propriedades, que engloba a proteção da área, o desenvolvimento de pesquisas e a realização de atividades de ecoturismo. O proprietário que decide transformar sua área em uma unidade de conservação também recebe benefícios. As RPPNs rurais têm isenção de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e nas áreas urbanas cada prefeitura define quais os critérios.

No litoral, há cinco RPPNs, que pertencem à Fundação Grupo Boticário, à Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e a outro proprietário.

 

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