Tribuna | 30 de setembro de 2015 | Foto: Brunno Covello/SMCS

O causo de hoje aconteceu durante o trajeto Curitiba-Rio de Janeiro, destino de muitas pessoas que, na semana passada, foram ao Rock in Rio. Tudo aconteceu quando ela estava quase chegando ao destino e flagrou outro passageiro preparando o que ela definiu de “Kit Rock in Rio”:

“O dia já havia amanhecido e a primeira imagem que vi depois que acordei foi um sujeito com um baita pote de plástico cheio de coisinhas escuras que estavam dispostas em sacos. O cara pegava um pouco, colocava numa película, passava a língua no papel e enrolava até formar um cigarro. Vi isso uma vez, duas vezes, esfreguei o olho, vi a terceira, a quarta, até que tive certeza de que se tratava de um traficante.

Desculpem os defensores, mas aquela quantidade não é para consumo de uma pessoa nem aqui, nem no Rock in Rio. Meu impulso inicial era fazer uma foto e denunciar, mas o meu instinto de sobrevivência me impediu – já que havia um risco de o rapaz perceber. Tentei mudar o foco da minha atenção, reparar na bela Serra das Araras, conversar com o passageiro que viajava ao meu lado, tudo para esquecer o sujeito e a montagem da droga seguindo em pleno vapor, escancarada.

Chegamos à rodoviária do Rio e não é que bastou eu descer as escadas para um policial vir revistar a minha bagagem?!Falei a ele que ficasse à vontade em me revistar porque naquele ônibus ele tinha mesmo o que encontrar. Não tinha certeza se o sujeito havia escapado ou não, então descrevi como ele estava vestido e o utensílio doméstico no qual estava o “Kit Rock in Rio”. Mal terminei de falar e a criatura surge na escada. O policial parou na hora e logo encontrou tudo.Só vi o rapaz ser conduzido pelos policiais e me pus a rezar para que ninguém percebesse de quem partiu a denúncia.”