Tribuna | 05 de fevereiro de 2014 | Foto: Brunno Covello/SMCS

Não é porque estamos derretendo com este calor todo que nós, as passageiras, não vamos nos preocupar com o nosso look, não é mesmo? Faça chuva ou faça sol, a mulherada quer mesmo é estar bonita! O papo de busão que meu chefe Olavo Pesch (que está se revelando um bom ouvinte de ônibus) captou prova muito bem isso:

“Dia ensolarado, de temperatura agradável, mas com algumas nuvens no céu. Embarco no Ligeirinho no terminal central de São José dos Pinhais e, antes mesmo do ônibus partir, duas mulheres começam a conversar com um vendedor de guarda-chuvas que sentou no banco ao lado da porta.

Ele leva uma megabolsa carregada de produtos e mais um fardo coberto apenas por um plástico, para expor o material à venda. Sentada dois bancos atrás, a mais nova pergunta o preço de uma sombrinha de tamanho grande na cor dourada. “Doze reais”, responde. “A senhora quer levar?”

“Não, só queria saber. Estou com uma sombrinha na bolsa, mas se chover forte como ontem não resolve. E tem mais previsão de chuva pra hoje”, diz.

A conversa continua, com o vendedor ressaltando os atributos do produto:

“É bem resistente, mas tenho também outro mais caro, com tecido duplo. Tem também um bom guarda-chuvas por cinco reais”.

A mulher que inicialmente havia dito que não iria comprar não resiste à lábia do homem e diz que vai ficar mesmo com o modelo dourado. E ainda faz questão de explicar a razão: “Tem que ter uma para combinar com cada roupa”, justifica, provocando risos do senhor.

Aí a outra senhora, que estava sentada no banco de trás dele, entra no papo, lamentando que as pessoas não saiam de casa com guarda-chuva e peçam “emprestado” da residência que estão visitando na hora da chuva. E comenta ainda que é comum as pessoas deixarem sombrinhas e guarda-chuvas no lugar onde estão depois que a tempestade passa. O próprio vendedor admite que costuma largar o próprio “ganha-pão” em qualquer lugar quando não está trabalhando.

“Quando estou com a bolsa não acontece, mas quando levo um só, já esqueci várias vezes”.

Para encerrar a animada conversa entre os três, a compradora da sombrinha dourada diz que tem três coisas que não empresta para ninguém: “guarda-chuva, livro e CD”. Ela acha um absurdo as pessoas pedirem “emprestado” e nunca devolverem.

E ia me esquecendo: acabou que nem choveu naquele dia…”

 

http://www.parana-online.com.br/colunistas/papo-de-busao/101094/PRA+COMBINAR+COM+A+ROUPA