Tribuna | 31 de dezembro de 2014 | Foto: Divulgação

O ano de 2015 começa com mudanças no orçamento das famílias paranaenses. A partir de abril entra em vigor o aumento de tributos proposto pelo governador Beto Richa e aprovado neste mês pelos deputados estaduais. A medida irá fazer diferença no final do mês e, de acordo com economistas ouvidos pelo Paraná Online, o momento é de cortar gastos e se preparar para momentos difíceis na economia. As previsões para o que pode acontecer são bastante pessimistas.

Ficou definido o aumento do ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) de até 95 mil itens de consumo popular, além de 40% a mais no IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) e 1% no ICMS da gasolina. Em âmbito municipal, foi aprovado também o aumento de 6,39% no IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano), mais 5% para imóveis construídos e 8% para terrenos vazios.

Na prática, isso significa aumento por todos os lados, tanto nos impostos pagos pela população, como também nos produtos consumidos. “Essas elevações são extrações de recursos sem que tenha havido motivação para que as pessoas pudessem encaixar nos seus orçamentos o custo adicional”, avalia o coordenador do departamento econômico da Fiep, Maurilio Schmitt.

A organização prevê que o tarifaço estadual irá tirar R$ 1,6 bilhão dos paranaenses, porém, sem melhorias efetivas nos serviços prestados, como saúde, educação e segurança pública. O economista critica a estratégia. “Num primeiro momento pode parecer interessante, mas isso deprime a atividade econômica num segundo momento. Lá na frente teremos efeitos colaterais terríveis. É muito complicado”, prevê.

Cascata
Com mais impostos, o salário das famílias deixa de render como antes, diminuindo assim o poder de compra e o consumo. Isso acarreta queda no movimento no comércio e na indústria, que também terão aumento na tributação e serão obrigados a repassar aos clientes, ao mesmo tempo em que irão sentir a queda na procura pelos consumidores. Isso pode gerar desemprego e aumento da inflação, entre outros problemas.

Soma-se a isso a oferta de serviços públicos com pouca qualidade, que obriga a população a investir com recursos próprios na saúde, educação e segurança, por exemplo. “É um duplo gasto. Para termos alguns serviços básicos temos que gastar mais”, pontua Schmitt.

 

Pé no freio
Prevendo dificuldades com o aumento dos impostos e do preço dos produtos, os economistas orientam as famílias a ficarem atentas a seus orçamentos. “É importante fazer uma revisão clara das despesas que podem ser postergadas ou suprimidas. Gastos supérfluos, por exemplo, é melhor ‘passar a tesoura’”, alerta o economista da Fiep.

“A população de baixa renda deve sentir mais, pois os itens da cesta básica terão aumento. Serão mais impactadas as pessoas que precisam do alimento e não têm como deixar de comprar. Quem tem excedente pode reduzir os gastos, mas a população de baixa renda precisa continuar se alimentando, comprando remédios e não tem para onde fugir”, analisa o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), o economista Ivo Orlando Petris.

“Uns vão sentir mais, outros menos. É o aumento num país que já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e os impostos não têm resultado nenhum de melhorias para a população, apenas para sustentar a máquina política. É um jogo de troca de favores entre as esferas administrativas e o povo está pagando a conta toda”, diz ele, que também critica a situação.

 

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