Tribuna | 25 de abril de 2014 | Foto: Átila Alberti

Maior colônia polonesa no Brasil – com aproximadamente 400 mil pessoas em Curitiba e Região Metropolitana – e segunda maior do mundo, a capital paranaense recebe a notícia da canonização de João Paulo II de maneira especial e prepara uma programação festiva para domingo. Para aqueles que deixaram a Polônia e se estabeleceram no Brasil, a canonização do papa representa a confirmação de sua santidade.

O papado de João Paulo II foi um ponto de transformação para a Polônia, que em 1978 ainda vivia sob o regime comunista. Para os que fizeram parte desta história, a nomeação de Karol Wojtyla significou o início da libertação. “Lá (na Polônia) a gente vivia no tempo do regime comunista, todo mundo já sabia que alguma coisa boa iria acontecer, que ele seria o começo de grande mudança. Desde a primeira visita que ele fez à Polônia, quando ele falou em Varsóvia para um milhão e meio de pessoas, ele disse que o Espírito Santo iria renovar a face da Terra”, lembra Tadeu Kawalec, 60, mais conhecido em Curitiba como Tadeu do Pierogi, conterrâneo do futuro santo.

“O comunismo iria desaparecer, viria a liberdade religiosa, política, a democracia. As pessoas poderiam viver em plena liberdade política e de pensar. E aí aconteceu o que aconteceu: dez anos depois caiu o muro de Berlim, a União Soviética se desmanchou toda. Realmente esse Espírito Santo começou a renovar a face dessa Terra”, arremata o Tadeu do Pierogi.

“Nosso próprio hino diz ‘um dia chegaremos a Roma’. E minha vó dizia que a Polônia estava com tantas dificuldades, mas as pessoas acreditavam que iriam receber uma graça muito grande de Deus. Éramos uma nação que ficou 120 anos sob domínios, não tínhamos mais independência, nem nossa bandeira. Depois desse período a Polônia já não existia mais, estava completamente desaparecida, então ela volta como país, com sua bandeira, sua referência, seu símbolo, livre”, completa a fundadora da Braspol (Representação Central da Comunidade Brasileiro-Polonesa no Brasil), Danuta Lisicki de Abreu, 76.

 

Espaço Sagrado
Curitiba também se destaca pelo Memorial da Imigração Polonesa, conhecido como Bosque do Papa, criado em homenagem à visita de João Paulo II à capital em 1980. Neste local, serão realizadas as festividades pela canonização, especialmente na casa de tronco original que abriga a Capela em homenagem à Nossa Senhora de Czestochowa, padroeira da Polônia, e que foi abençoada pelo futuro santo. O bosque já é considerado um local sagrado e terá um altar em homenagem a João Paulo II.

A partir da canonização o parque deverá receber ainda mais fiéis em peregrinação. “Vai se tornar um local de romaria, um local sagrado, sacro. Era isso que o papa queria, que a capela fosse um local de orações, de fato de encontro das pessoas e onde as pessoas se sentissem bem, leves e em paz”, garante Danuta, que também coordena as ações do parque. Ela conta que será criado um novo tipo de programa para receber os visitantes, além de maior identificação da relação do espaço com o papa.

 

http://www.parana-online.com.br/editoria/cidades/news/795572/?noticia=BOSQUE+DO+PAPA+SERA+SIMBOLO+DO+NOVO+SANTO+EM+CURITIBA