Comerciantes e moradores das ruas Richuelo e São Francisco pedem melhorias para a região

Folha de Londrina | 19 de maio de 2009

Locais importantes da história de Curitiba, as ruas Riachuelo e São Francisco, no Centro Histórico, necessitam de melhorias. As construções tradicionais e os pontos de encontros dos curitibanos no século passado deram lugar a diversos prédios abandonados, com a busca de novos investimentos em outros bairros da cidade. Hoje, comerciantes da região dividem espaço com traficantes e usuários de drogas e reclamam da falta de segurança na região.

A predominância do comércio nesses locais é de lojas que vendem móveis e roupas usadas. Algumas lanchonetes e relojoarias também funcionam no local. Porém, o que chama a atenção dos pedestres e comerciantes são os imóveis antigos, castigados pelo tempo e sem manutenção.

“Quase todo o comércio daqui está fechado”, conta o comerciante Clayton Karam, que trabalha há 42 anos na Rua São Francisco. Em frente à loja, ele aponta para a situação das construções vizinhas. “Precisa melhorar a fiação, as calçadas e acabar com o uso de drogas. Parace que esqueceram deste lado da cidade”, reclama.

Para o relojoeiro Mauricio Jamil Sanara, há 12 anos na Riachuelo, os problemas de segurança diminuíram, mas as construções são um problema. “Tem muito abandono. Não sei por que os proprietários fazem isso, tem que manter o prédio vivo”, opina. “É uma rua feia, se as fachadas dos prédios ficassem bonitas ia melhorar muito”, sugere a cabelereira Helena Ferreira.

Quem precisa passar pela região se preocupa com a falta de segurança. Vendedora de uma loja de roupas há sete meses, Kethyn Casseres conta que antes de trabalhar na Riachuelo desviava do local. “Tenho medo de sair sozinha às 18h30. A rua fica cheia de gente usando drogas. Durante o dia também tem esse problema”, conta.

“Sei que posso ser assaltado. Aqui não é um abiente muito atrativo, tem tudo para ser feito”, analisa o aposentado Paulo Bredow.

Com Otília Hilu, proprietária de uma loja de tecidos, a dificuldade é no início da manhã. De acordo com ela, que está no local há 40 anos, a situação piora ano a ano. “Vai desde calçada mal feita a uso de drogas e prostituição.” As pessoas usam a frente da loja para usar drogas e dormir. “Eles já ficam esperando desde antes de fechar e quando eu chego de manhã está tudo sujo. É urina, fezes e restos de drogas. De tanto eu reclamar, a prefeitura lava a fachada toda manhã”, conta.

Região vai passar por Plano de Atratividade
As ruas Riachuelo e São Francisco terão foco principal no processo de revitalização do Centro Histórico da cidade, com início previsto para ainda este ano pela prefeitura e organizações parceiras. Moradores e comerciantes também irão participar da iniciativa, que foi apresentada ontem em uma audiência pública.

A proposta pretende valorizar características próprias de cada rua da região. Desta forma, a Riachuelo, tradicional no comércio de móveis e roupas semi-novas, será transformada em um eixo conceitual, com foco na sustentabilidade. “A rua tem um grande comércio sustentável, na questão de reaproveitar, reutilizar, reciclar. Vamos reaproveitar os prédios históricos que estão ali”, explica a consultora do Sebrae Valderes Bello, que realizou um diagnóstico do Centro
Histórico.

O estudo do Sebrae contabilizou 107 imóveis vagos que podem abrigar comércios em todo o Centro Histórico. A maioria concentrada na São Francisco, onde o projeto prevê a criação de um eixo gastronômico. “Não é apenas nova calçada ou iluminação, mas atrações e novos negócios. As duas partes precisam participar. Os empresários também precisam cuidar da preservação de seus edifícios, na despoluição visual e na organização de suas lojas”, ressalta a consultora.

Também foram estudados os potenciais turísticos, culturais e emmpresariais de todo o Centro Histórico. Ao todo, foram contabilizados 697 empreendimentos na região. “São locais com grande fluxo de pessoas e que precisam de divulgação e empreendimentos de especialidades”, afirma Valderes Bello.