Tribuna | 11 de dezembro de 2013 | Foto: Brunno Covello/SMCS

Tem muita gente que quando vai ou volta do trabalho, todo dia no mesmo horário, acaba encontrando no busão sempre as mesmas pessoas, de motorista e cobrador até os passageiros. E além de acabar conhecendo (mesmo que de vista) o pessoal, isso também pode significar que alguns probleminhas começam a se repetir com frequência. Não tinha pensado nesta possibilidade até a última segunda-feira, quando presenciei uma discussão feia entre uma passageira e o motorista.

Estava em um ônibus amarelo, que seguia para a Praça Rui Barbosa. Percebendo que ninguém tinha acionado a campainha para descer no último ponto antes do terminal, o motorista se posicionou no lado esquerdo da pista, em direção à praça. Mas aí uma passageira apertou o botão… E o motorista fingiu que não viu e também não parou no ponto.

Imediatamente a menina começou a gritar, lá do fundo do busão:

– Oooh motorista, eu quero descer. P*** que p****, é a terceira vez que você faz isso – reclamou.

Gritando, o motorista também não deixou por menos:

– Você aperta a campainha em cima do ponto, depois que eu já mudei de faixa. Não vou parar não.

Nisso já estava todo mundo prestando atenção no debate e ela ainda continuou:

– Vou reclamar de você – disse a moça.

– Vá é pra p*** que p**** – retrucou.

Chegando na praça, a passageira continuou com as ameaças. Ela desceu do ônibus, mas voltou para a porta da frente para discutir mais um pouco.

– Vou procurar um fiscal e você vai aprender a trabalhar direito.

– Pode ir. Vá é pra p*** que p****” – xingou mais uma vez o motorista.

O que aconteceu depois não vi, porque estava indo para o jornal. E também não sei o que vai acontecer na próxima vez que os dois se encontrarem. Ela, o motorista, o cobrador e os demais passageiros que pegam o mesmo ônibus todo dia, no mesmo horário e com as mesmas pessoas.

 

O homem de ferro
Esta é a primeira colaboração do amigo e colega de profissão Diogo Cavazotti, que também anda por aí prestando atenção nos papos de busão e não perdeu a conversa de duas mulheres. Ele contou que as duas pareciam ser vizinhas e falavam de uma terceira amiga. “Onde já se viu, o filho da Fulana é viciado em overdose…”, diziam. Ele teve que rir do comentário e imaginou que o rapaz seria o Highlander, afinal, só um imortal para suportar várias overdoses…

 

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