Controle de fatores de risco e hábitos saudáveis devem ser adotados pelos pacientes

Folha de Londrina | 29 de maio de 2009

As doenças cardiovasculares não têm cura, mas são controláveis. As complicações desses problemas podem ser evitadas quando se consegue a adesão dos pacientes. Em todo o mundo, são 17,5 milhões de vítimas fatais a cada ano.

Entre as doenças mais preocupantes estão o infarto -com altos índices de mortes súbitas-, a hipertensão arterial e as alterações no colesterol, chamadas pelos especialistas de dislipidemia. A partir dos 40 anos de idade, os casos passam a ser mais frequentes e o tratamento desses males exige mudança na rotina.

O controle de fatores de risco, como o sobrepeso, a prática de atividades físicas ou dietas saudáveis possibilitam a normatização do quadro clínico sem o uso de medicamentos. Em casos moderados ou graves, os remédios são necessários com a combinação de medidas preventivas.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia -Regional Paraná, José Carlos Moura Jorge, a principal dificuldade está na adesão dos pacientes. Ele exemplifica com os casos de hipertensão arterial, em que aproximadamente 40% dos brasileiros têm o diagnóstico da doença, mas apenas 15% realizam o tratamento adequado.

Jorge ressalta que, por não terem cura, as doenças cardiovasculares precisam ser controladas. O êxito do tratamento também depende do diálogo entre os médicos e os pacientes, para que não abandonem o acompanhamento. “Os pacientes não têm a cultura de cuidar das doenças crônicas e têm o conceito de que as coisas são finitas. Os médicos precisam conversar muito com o doente, senão não tem adesão. Em alguns casos, a conversa é mais importante que o remédio”, observa.

Prevenção pode reduzir mortes em dois terços
A prevenção pode reduzir em dois terços a mortalidade por doenças cardiovasculares. Merecem atenção o controle da obesidade, diabetes, colesterol alto, tabagismo, sedentarismo e estresse, que, controlados, inibem a ocorrência das doenças e, em muitos casos, não apresentam sintomas. O histórico familiar dessas doenças também causam predisposição ao problema.

“Às vezes, o infarto do miocárdio não dá a segunda chance. Causa morte súbita, sem sintomas”, alerta Jorge. A partir desse quadro, o cardiologista orienta aos pacientes atenção e rapidez na procura de atendimento nas primeiras dores no peito, uma vez que a demora no atendimento compromete gradativamente a recuperação.

“Existe sempre a negação, (os pacientes) dizem que não é nada, é um mal estar passageiro e deixa de ir a um hospital. O infarto é relacionado ao tempo, quando mais rápido o atendimento, mais preserva o músculo. Se não for nada, ótimo, mas se for o início do infarto podem salvar uma vida”, orienta.

Congresso de Cardiologia
Até sábado, Curitiba é sede de três eventos sobre doenças cardiovasculares. O 1º Fórum de Prevenção de Morte Súbita, o XII Congresso Sul Brasileiro de Cardiologia e o XXXVI Congresso Paranaense de Cardiologia discutem, com profissionais do Brasil e do exterior, casos da doença em todo o mundo. Os encontros ocorrem no Estação Embratel Convention Center. No local, equipamentos de última geração também foram apresentados aos médicos.