Tribuna | 07 de novembro de 2013 | Foto: Ciciro Back

Basta algum morador do Conjunto Osvaldo Cruz II, no CIC, pintar o muro de casa que o serviço não dura muito tempo. Quase imediatamente a pintura nova recebe mais tinta, desta vez dos pichadores, que não dão trégua a ninguém. O resultado é percebido por várias ruas, onde residências ou estabelecimentos comerciais estão todos pichados.

Além da atuação permanente dos pichadores, a situação mostra que os moradores já cansaram de tentar refazer as pinturas. É isso que a costureira Zenilda de Souza afirma. “Não pinto mais, não dura nem uma semana. Já desisti, não vou ficar gastando. Paguei pintor, paguei tinta e logo picharam”, reclama ela, que conta ficar muito nervosa com a situação, que geralmente acontece durante a madrugada. “Acho que o pessoal nem enxerga mais que está tudo pichado”, diz.

Para o metalúrgico Fernando José Padilha, porém, a situação é visível e incomoda. Ele não sofre diretamente com a pichação porque sua casa é protegida por grades, mas mesmo assim acredita que o problema prejudica toda a comunidade. “Fica feio para o bairro. Já falam mal do CIC, ainda mais com essa pichação toda”, lamenta. Em frente e ao lado de sua casa é possível ver as marcas nos muros. “O vizinho já colocou até câmera de segurança e nem isso resolveu. É uma coisa ruim, degrada muito o bairro”, completa outro morador, o empresário autônomo Altamir Furiski, que está na mesma situação de Padilha.

Inspiração
Na casa da técnica Ana Cláudia Teles de Abreu, o problema só acabou depois que ela decidiu, há quatro anos, mudar o estilo do muro com desenho de grafite. “Pintava de tarde e de manhã já estava pichado. Então deixei de pintar um tempo, mas como ficou muito desenhado resolvi fazer o grafite”, lembra. Desde então as pichações acabaram.

O responsável pela obra de arte no muro da casa de Ana Cláudia foi o artista visual Paulo César Oliveira, que acredita que seu trabalho vai além do combate à pichação. Para ele, esta é a oportunidade de inspirar a comunidade para a arte. “É uma experiência de rua e o grafite é isso: fazer com que as pessoas tenham esta experiência, que percebam que pintaram o muro e isso acaba mexendo com elas”, explica.

 

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