Folha de Londrina | 12 de março de 2009

A verificação periódica da pressão ocular é a única maneira de identificar o glaucoma, doença que não apresenta sintomas e pode causar cegueira irreversível. Estima-se que a metade dos portadores não saiba de seu diagnóstico.

Se identificado no estágio inicial, o glaucoma pode ser controlado. Caso contrário, desenvolve-se até provocar a cegueira total. Para os especialistas da área, o desconhecimento a respeito da doença e a ausência de sintomas são os principais desafios no tratamento.

Comemorado hoje, o Dia Mundial do Glaucoma tem o objetivo de alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce da doença que afeta aproximadamente um milhão de brasileiros, além de um milhão de pessoas que não sabem do diagnóstico, de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma. A doença é uma das principais causas de cegueira do mundo.

O glaucoma se manifesta a partir de lesões no nervo óptico, responsável pela visão. A hipertensão ocular afeta as fibras que compoem o nervo, que gradativamente deixam de funcionar. Inicialmente são afetadas as células responsáveis pela visão periférica (visão lateral). A falta de visão se espalha em direção ao centro do olho, quando não há mais possibilidade de cura. Quando a doença está avançada, o paciente também sente ardência e vermelhidão nos olhos.

Esse processo é lento, dura entre dez e 20 anos, e, na maioria dos casos, manifesta-se quando o paciente passou dos 40 anos de idade -a estimativa é que 1% da população nessa faixa etária apresente o glaucoma. A predisposição à doença é maior entre negros, mulatos e pessoas com casos de glaucoma na família.

Um estudo realizado pelo departamento de oftalmologia do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) com a comunidade de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), ilustra estas características predominantes. Entre os pacientes atendidos pelo HC entre 2002 e 2003, 3,4% tinham mais de 40 anos e 90% desconhecia o diagnóstico.

Além do glaucoma causado por fatores biológicos, existem os tipos da doença causados por elementos alheios à hipertensão ocular, como lesões ou doenças nos olhos e o uso indiscriminado de colírios. “O colírio com corticóide ameniza os sintomas de conjuntivite e alergias, mas silenciosamente causa o glaucoma, que leva à cegueira”, alerta o oftalmologista do HC, Lizandro Sakata.

Tratamento
O glaucoma é diagnosticado nos exames de rotina realizados em consultas oftalmológicas. A verificação da pressão ocular durante as consultas é recomendada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Assim que identificado o problema, o tratamento consiste no uso de colírio, com a possibilidade de intervenção cirúrgica. “A taxa de sucesso e controle da doença é alta. Dificilmente o paciente perde a visão quando faz o acompanhamento”, afirma o oftalmologista Idior Saulo Zanoni. Por isso, ele ressalta que, mesmo em consultas para a solicitação de óculos, é necessária a realização permanente do exame.

O início imediato do tratamento assim que o glaucoma foi descoberto evitou que a secretária Nildicéia Pereira Gaissler, 43, perdesse a visão. As consultas à sua oftalmologista em Paranaguá (Litoral), cidade onde mora, não apontaram para o problema. Enquanto a vermelhidão nos olhos aumentava e ela observava arcos na visão.

Somente com a visita de uma amiga de Curitiba, em junho do ano passado, Nilcinéia foi alertada sobre o problema. “Se não fosse estava cega”, lembra. A secretária realizou o tratamento com colírios e passou por uma cirurgia nos dois olhos. O olho esquerdo perdeu parte da visão, mas mesmo assim, ela comemora o êxito no tratamento. “Graças a Deus eu enxergo”, comemora.